“Funciona mais ou menos com um desses aplicativos de táxi. Você informa onde está, quanto óleo tem e sua disponibilidade de horário e um dos coletores cadastrados passa para fazer a retirada”, resume a ativista ambiental Célia Marcondes Smith. Fundadora da Ecóleo – rede dedicada à causa da reciclagem de óleos e gorduras –, recentemente Célia somou forças com ADM para desenvolver um aplicativo para celulares que promete organizar todo o meio de campo e tornar o trabalho de coleta desses materiais menos trabalhoso e mais rentável.

Batizado Vitaliv App – marca com a qual a ADM comercializa óleos vegetais no mercado brasileiro – o aplicativo está disponível para download desde o mês passado quando o sistema entrou em sua fase piloto. Contudo, ele é resultado de cerca de um ano e meio de planejamento da Ecóleo. “A gente discutiu bastante sobre isso, sobre as necessidades, o que faríamos, como funcionária. Mas não tínhamos recursos. Foi aí que a ADM nos procurou porque estava interessada em desenvolver um trabalho na área de reciclagem de óleo usado”, explica Célia.

Desse casamento surgiu o aplicativo que, embora ainda esteja em seus primeiros passos, promete ser uma ferramenta importante para alavancar a atividade de reciclagem de óleos. Os resultados, por enquanto, ainda são modestos – a página do aplicativo na loja oficial do Google informa que ele foi baixado menos de 1000 vezes.

Mas a ideia é começar a fazer mais barulho em breve. Na manhã do próximo sábado (25), por exemplo, a Ecóleo fará uma reunião na Câmara Municipal de São Paulo para apresentar a nova ferramenta para cooperativas, coletores, beneficiadores e recicladores que trabalham com óleos vegetais. A ideia é mostrar o quanto ela pode ser útil para resolver um dos gargalos mais complicados no dia a dia do segmento: a logística de coleta.

Logística

“Se [a logística] não for bem planejada inviabiliza todo o negócio tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental”, explica Célia acrescentando o aplicativo ajudará as cooperativas a se planejaram melhor, criando rotas nas quais eles poderão ter a certeza de que vão encontrar óleo o bastante para fechar as contas no fim do mês. Com uma vantagem adicional, o aplicativo resolveria toda a questão da rastreabilidade do produto.

Embora queira engajar os consumidores domésticos individualmente, Célia reconhece a dificuldade. Com ou sem aplicativo, dificilmente vai ser vantajoso para um coletor desviar de seu caminho para pegar menos de um litro de óleo. Por isso, a aposta é no modelo de ecopontos nos quais os consumidores possam acumular seu óleo usado até que haja uma quantidade que justifique a retirada. Há algum tempo, a Ecóleo vem trabalhando nesse sentido com condomínios residenciais. “A gente ensina como montar a estrutura para ir juntando o óleo dos morados até que o síndico ou um funcionário do prédio nos aciona para fazer a coleta usando o app”, diz.

Donos de restaurantes estabelecimentos comerciais que usem volumes de óleo maiores também são um dos públicos alvos para o app graças à conveniência de poder marcar as coletas com mais facilidade.

De acordo com Célia, cooperativas e coletores que ligados à Ecóleo, coletam 2,7 milhões de litros de óleo usado por mês na cidade de São Paulo – isso é apenas 10% do que seria possível. “Estamos atrás dos outros 90%. É uma verdadeira cruzada”, completa.

Para mais informações e download do aplicativo clique aqui.

Fonte: Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com