O grupo de clientes europeus da soja brasileira, integrado por importantes empresas varejistas e consumidoras de produtos oleaginosos, divulgou uma declaração conjunta de apoio e reconhecimento pelo esforço do setor empresarial e da sociedade civil em promover a produção sustentável no Bioma Amazônia.

O documento foi apresentado no evento promovido no dia 8 de julho para celebrar o quarto aniversário da iniciativa. Na ocasião, foram realizadas uma vídeo conferência internacional pela internet e uma sessão de entrevistas à imprensa.

Na oportunidade, Izabella Teixeira, Ministra do Meio Ambiente; Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace e representante da sociedade civil; Carlo Lovatelli, presidente da ABIOVE; e Sergio Mendes, diretor da ANEC, renovaram o compromisso por mais um ano e apresentaram o balanço do terceiro monitoramento.

Carlo Lovatelli enalteceu a parceria estabelecida com o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, representado pelo professor Bernardo Rudorff. Essa parceria permitiu ampliar significativamente a área de cobertura e o número de polígonos monitorados. Alertou ainda que, devido à mudança da metodologia, o resultado do terceiro ano não é comparável ao dos anos anteriores.

Bernardo Rudorff explicou que todos os polígonos com mais de 25 ha de desmatamento foram incluídos, um aumento substancial na abrangência do monitoramento, que era realizado apenas nas áreas maiores de 100 ha e nas 70 do projeto piloto. Foram monitorados 52 municípios, que respondem por 98% da soja produzida no Bioma Amazônia.

Das 194 áreas com indícios de cultura agrícola pela interpretação das imagens de satélite, 76 delas plantaram soja e configuraram 6,3 mil ha de área plantada com a oleaginosa. A baixa relevância desse montante fica evidente quando comparado com os 2,49 milhões de ha desmatados nos estados do MT, PA e RO no triênio 2007 a 2009, ou seja, corresponde a apenas 0,25% da superfície total desflorestada. “Se a moratória não estivesse tendo efeito, esse número seria muito maior”, observou Rudorff.

“Pelos resultados do monitoramento do INPE, a gente entende a dimensão real e a complexidade do problema e não dá pra dizer que novos desmatamentos estão associados à soja”, afirmou a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante sua exposição. O setor empresarial da soja desenvolveu um dialogo correto e demonstrou que é possível produzir de forma sustentável.

A Ministra Izabella Teixeira destacou o empenho do governo federal em melhorar a governança. O grande desafio é promover o cadastramento das propriedades rurais nos órgãos ambientais e a prioridade é criar condições favoráveis, com o apoio de crédito aos produtores, nos 47 municípios que mais desmataram e são alvo de fiscalização intensa através da operação Arco Verde.

O Zoneamento Econômico Ecológico dos estados do Mato Grosso e Pará deverá ser concluído até dezembro próximo. O Congresso Nacional já aprovou uma política de baixo carbono e o eixo ambiental é cada vez mais estratégico ao país. “A Moratória da Soja é um caminho promissor, que serve de exemplo para outras culturas” finalizou a Ministra.

Paulo Adario reconheceu a melhoria do sistema de monitoramento proporcionado pela parceria com o INPE e comentou sobre o aumento do número de polígonos com presença de soja, ponderando que a Moratória interrompeu a expansão da cultura no Bioma no momento certo. Uma demanda crucial do Grupo de Trabalho da Soja é identificar os proprietários das fazendas que plantaram soja, e por isso é necessário incentivar o cadastramento das propriedades rurais.

Ao mencionar a revisão do Código Florestal no Congresso, a sociedade civil reafirmou seu posicionamento em defesa do desmatamento zero. Os clientes europeus querem produtos que preservem a Amazônia e “quem desmata e não vende está perdendo dinheiro”, destacou Paulo Adario.

Ao ser questionado sobre o impacto da iniciativa sobre o valor de mercado da soja, Lovatelli comentou que “não houve aumento no preço da soja, mas com a Moratória o setor atendeu ao exigente mercado internacional, principalmente o europeu, evitando a imposição de barreiras”.

Sérgio Mendes completou “o mercado pode ficar tranqüilo, pois a soja vendida pelas empresas associadas da ABIOVE e ANEC não vem de áreas desmatadas no bioma Amazônia. Foi realizada uma auditoria externa nas empresas garantindo que todas estão em conformidade com o compromisso da Moratória da Soja”.

A Declaração do grupo de clientes europeus, o termo de compromisso e o relatório do monitoramento 2009/2010 compreendendo a metodologia utilizada, fotos aéreas, imagens de satélite e os resultados alcançados estão disponíveis no site www.abiove.com.br.

08 de julho de 2010