O conceito de produtos de ciclo fechado, onde as empresas passam a usar o próprio resíduo que produzem para fabricar outros produtos ou embalagens, começa a chegar ao Brasil. Por aqui, redes do varejo como Pão de Açúcar e Walmart já estão dando um passo além em suas práticas de reciclagem, com melhor aproveitamento ao lixo gerado nas lojas ou entregue pelos consumidores.O grupo Pão de Açúcar começou a usar o papel e papelão descartado nas lojas da rede para fabricar embalagens dos produtos de sua marca própria Taeq, que vai de sabonetes a orgânicos. Por mês, as estações de reciclagem localizadas nas lojas da rede recebem 500 toneladas de resíduos – desses, 250 toneladas são de papel e papelão. “Reaproveitar esse volume de material na confecção de embalagens foi um meio que encontramos de fechar o ciclo internamente, ou seja, nosso próprio resíduo vira nossa embalagem”, afirma Isadora Sbrissa, gerente da marca Taeq.Os resíduos das lojas são coletados por uma cooperativa de catadores, a Vira Lata, de Osasco, que vende as aparas à empresa Papirus, fornecedor de embalagens de papel para a marca Taeq. Um sistema de rastreabilidade desenvolvido pelo varejista permite saber que as embalagens descartadas irão de fato entrar no processo produtivo de novas embalagens.

Agora, o grupo negocia com outros fornecedores o mesmo procedimento para as embalagens de plástico e aço. “Não vai faltar matéria-prima”, diz Rafael Sales, coordenador de pesquisa de embalagens do grupo.

No Wal Mart, a aposta é no sabão em barra . O óleo é recolhido nas lojas do Maxxi Atacado, bandeira voltada para o consumo popular da rede americana, segue como insumo para a fabricação de sabão em barra pela empresa gaúcha Bertolini e volta ao supermercado como produto final. O projeto está centrado nas lojas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas até o fim do ano chega ao Nordeste.

Na prateleira, o sabão é vendido por um preço 26% menor que o da marca líder. O óleo reciclado compõe 20% da matéria prima na produção do sabão, diz Yuri Feres, consultor de sustentabilidade do Wal Mart. “O projeto permitiu transformar em matéria prima 2,3 mil toneladas de óleo, um resíduo poluente quando descartado no ambiente.”

Tendência

A fabricação de produtos a partir de resíduos vem ganhando espaço.”Em média, tudo o que o consumidor compra acaba em um aterro sanitário seis meses depois. A reciclagem atrasa a chegada ao aterro e não tem sido suficiente para resolver o problema do lixo”, diz May East, consultora de sustentabilidade das Nações Unidas e estudiosa da ecologia industrial, conceito desenvolvido na década de 1990 e que prevê o reaproveitamento pleno, como matéria-prima ou energia, dos resíduos. “É preciso incorporá-los ao processo produtivo.”

Fonte: Último Segundo | 30 de setembro de 2009


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