Alimenta-se corretamente ajuda a reduzir o descarte inadequado de óleo de cozinha. Coleta pode gerar trabalho e renda para mitas famílias.

O óleo de cozinha que vai para o ralo pode entupir a tubulação de esgoto das residências e da rede pública, poluir rios, lagos e oceanos e provocar a mortalidade de peixes. Mas também pode virar biodiesel, sabão, detergente e ração animal, ajudando a gerar trabalho e renda para muitas famílias, além de ajudar a preservar os mananciais de água, garantindo a vida no planeta.

Alguns estados já criaram leis sobre a coleta do óleo comestível, mas é preciso mudar hábitos. E romper uma questão cultural é o grande desafio. “Jogar óleo na pia é hábito. Desde pequenos aprendemos isso com a nossa mãe, que aprendeu com a avó dela e assim por diante. Conscientes que o “fora” é aqui mesmo e que isso volta para nós, é hora de mudar, assumir a responsabilidade pelo resíduo que produzimos”, afirma Célia Marcondes, advogada e ambientalista.

Para conscientizar os consumidores sobre a importância do descarte correto e responsável deste resíduo, Célia criou em 2009 a Associação Brasileira para Sensibilização, Coleta e Reciclagem de Resíduos de óleo Comestível (Ecóleo). Atualmente a ONG reúne 12 empresas que coletam e beneficiam óleo em mais de 60 municípios paulistas, gerando 2 mil empregos diretos e indiretos, além de organizadores de ecopontos e recicladores.

Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais já desenvolvem ações para coleta do óleo de cozinha. O modelo porta-a-porta criado pela Ecóleo é diferente do adotado em alguns países, onde a coleta é feita junto aos grandes produtores – bares, restaurantes e cozinhas industriais. Para isso, a ONG tem feito parcerias para troca de informações e experiências com diversos países, como França e Argentina.

Hábitos Saudáveis à mesa ajudam

Mudar hábitos pode ajudar a reduzir a poluição causada pelo descarte inadequado de óleo de cozinha. “O brasileiro está cada vez mais consumindo quantidade e não qualidade. Uma alimentação saudável melhora a qualidade de vida e a autoestima. temos que pensar na saúde humana e na saúde do planeta”, destaca Célia.

Mas a consciência ambiental à mesa tem mudado. Para isso, o trabalho desenvolvido pela Ecóleo começa pelos perigos da fritura. “O óleo deve ser aquecido até tr~es vezes no máximo. A partir daí, pode comprometer o alimento e fazer mal à saúde. Também não deve ser completado, mas substituído, assim como o óleo do carro”, esclarece Célia.

Não é só uma mudança de hábito dentro de casa. Empresas, escolas, sindicatos e instituições podem colaborar, praticando e adotando a coleta de óleo de cozinha ou implantando o projeto na vizinhança.

“A cada dia chegam mais empresas interessadas em divulgar a ação. O interesse da rede Mundo Verde na reciclagem é um desses exemplos. Enfim, é arregaçar as mangas e participar. A água é para todos e sem ela não há vida!” conclui..

Texto: Rosayne Macedo | 05 de janeiro de 2011

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