Depois de integrar o preparo de muitos pratos da alimentação do brasileiro, o óleo de fritura se torna um problema para o meio ambiente. Com alto poder contaminante, é alvo de um projeto de recolhimento da Prefeitura de Porto Alegre, que está aumentando o número de pontos de coleta.

Cada litro de óleo pode contaminar até um milhão de litros de água [carece de fontes]. No município, cada habitante consome em média um litro de óleo de cozinha por mês. Boa parte deste volume vai pelo ralo da pia ou no vaso sanitário, tendo como destino final as fontes de captação de água.

— Além de provocar o entupimento das tubulações, provoca a poluição hídrica e, sendo óleo, uma substância de não se mistura com água, também forma uma película que impede a entrada de oxigênio nos recursos hídricos — diz a coordenadora do projeto de entrega de óleo de fritura, Marisa Power.

Foi para reduzir esse impacto que a Prefeitura criou em 2007 o projeto de entrega de óleo de fritura, e instalou pontos de coleta em mais de 140 locais na cidade. Atualmente, são entregues 14 mil litros por mês. Para aumentar esse volume, é preciso conscientização.

— Reciclando-o, nós estamos fazendo a destinação adequada, evitando a poluição hídrica, a contaminação do meio ambiente e também transtornos à população — defende Marisa.

O óleo é recolhido gratuitamente nos postos de coleta e purificado por uma empresa que vende o produto para usinas de biodiesel. Tudo é feito sem processos químicos e com muitos cuidados como o tratamento de efluentes, já que 40% do que chega está misturado com água e resíduos de alimentos. São processados 140 mil litros de óleo por mês, mas há espaço para muito mais.

— Embora a gente esteja fazendo um trabalho de conscientização, nós estimamos que estamos recolhendo em torno de 20% do óleo descartado no Estado — avalia o supervisor de logística Paulo Roberto Lobato.

Na área rural de porto alegre, a Associação dos Pescadores e Piscicultores do Extremo Sul também aposta na reciclagem. Além do pescado, a agroindústria da associação produz bolinhos de peixe, vendidos para a merenda escolar e também em um quiosque no centro da cidade. O óleo utilizado na fritura dos bolinhos está sendo armazenado e vai se transformar em biodiesel para abastecer os barcos. A preocupação com o descarte correto do óleo é grande.

— Cada litro que é despejado, que vai cair na Lagoa dos Patos, prejudica demais a produção do pescado. A gente tem sentido isso ao longo dos anos — diz o presidente da associação, Roberto Superti.

Fonte: Canal Rural | 20 de agosto de 2010
Fotos: Site Motor-z