No Brasil, o óleo de cozinha está na mira dos ambientalistas. Jogar o óleo usado pelo ralo da pia é uma prática muito comum e custa caro para a natureza. Mas há boas iniciativas.

A união de moradores de vários condomínios resultou em uma ação pioneira que está ajudando o meio ambiente e evitando uma boa dor de cabeça para muita gente.

Em vez de jogar o óleo de cozinha no ralo da pia, 1,5 mil prédios estão separando o produto usado e mandando para a reciclagem.

O som agudo é sinal de encanamento limpo. Já quando a situação está complicada: “Bate fofo, ninguém escuta essa pancada não, é cheio, sabe como é, uma pancada cheia”, descreve o zelador José Manoel da Cruz.

José cansou de resolver os problemas do encanamento dos apartamentos e do prédio onde ele trabalha. “Pegava todo o óleo jogava dentro das pias e era o maior sufoco de gente desentupindo, reclamando das pias entupidas. Depois que eu comecei a recolher o óleo acabou esse problema”, aponta o zelador José Manoel da Cruz.

O condomínio tem um sistema bem simples de coleta de óleo de cozinha. Os moradores trazem o que foi usado e despejam em um galão, que depois é recolhido e encaminhado para reciclagem.

A coleta do óleo de cozinha em 1,5 mil prédios da região da Avenida Paulista ajudou a diminuir o problema de entupimento na rede de esgoto. A campanha com os moradores começou em 2007 e foi bem aceita.
Na tubulação, o óleo se transforma em uma espécie de cola.

“Como o óleo é muito grudento, ele acaba capturando o lixo que está passando junto com o esgoto e isso vai tampando a tubulação. A pessoa dá descarga em uma residência e o esgoto retorna”, explica o assistente de meio ambiente da Sabesp Marcelo Morgado.

Para limpar a rede, são usadas máquinas especiais, que sugam o lixo e espalham um mau cheiro terrível. Além de entupir tubulações, o óleo descartado indevidamente pode chegar aos rios. Calcula-se que um litro do produto seja suficiente para poluir 25 mil litros de água, o equivalente a 25 caixas d’água.

Quem separa o óleo para reciclagem contribui com o meio ambiente e até com a economia. O que era problema passa a ser solução.

“Cada pessoa que vem retirar esse óleo onde é separado de prédio a prédio, restaurante, bar, cada uma desses que vem buscar é um posto de trabalho a mais que a gente consegue. Já conseguimos 1,8 mil pessoas envolvidas nisto”, destaca a presidente da Associação de Moradores Célia Marcondes.

Fonte: Bom Dia Brasil | 04 de junho de 2010